A União dos Sindicatos de Lisboa e a Plataforma Lisboa Em Defesa do SNS, esteve hoje, dia 2 de fevereiro, em frente ao Centro de Saúde de Odivelas, a partir das 7h30 com os mais de duzentos utentes que aguardavam na fila desde as 4h30 da manhã, à chuva e ao frio, à espera de obterem uma senha que lhes possibilite o acesso a uma consulta.
A implementação dos SNS, há 46 anos atrás, foi criada a partir de uma rede pública de cuidados primários e hospitalares, permitiu diminuir drasticamente a taxa de mortalidade infantil derivado ao plano nacional de vacinação, permitiu que a maioria das mulheres tivesse os partos nas maternidades em condições de segurança, a implementação de rastreios para diagnóstico precoce de doenças graves, contribuindo assim para o aumento da esperança de vida e a qualidade da saúde em Portugal.
A situação que se vive na região de Lisboa, é grave, indigna e desrespeitadora dos direitos humanos. É inadmissível que o Governo e a Ministra da Saúde saibam desta situação e nada façam para a resolver, mente e faz de conta, mas por opção política, não ataca os problemas com medidas estruturais.
São diários os encerramentos de serviços de urgência e outros – como é exemplo o serviço de neurocirurgia para mulheres no hospital de São José, do serviço de medicina 1 no hospital dos Capuchos, e a intenção de encerrar a neonatologia do hospital D. Estefânia, muitos destes encerramentos devem-se à falta de profissionais, colocando em causa o acesso a cuidados de saúde.
Exemplos de Promessas não cumpridas na RLVT:
- O governo prometeu resolver o problema da falta de equipas de saúde familiar, para garantir o acesso de todos a cuidados de promoção da saúde e prevenção na doença – mais de 1,1 milhões de pessoas não têm médico de família;
- Prometeram acabar com as listas de espera para cirurgia e consultas - os tempos máximos de resposta garantidos no SNS (+3,6%) nas cirurgias oncológicas.
- Prometeram aumentar o número de camas nos cuidados continuados - deu-se uma redução de15% na resposta.
A Plataforma Lisboa Em Defesa do SNS exige um novo rumo na política de saúde, com um SNS mais forte, que acabe com as desigualdades no acesso à saúde e garanta cuidados gerais e específicos, essenciais à qualidade de vida e bem-estar da população em geral. É fundamental valorizar e conferir maior atratividade às carreiras profissionais do SNS.
O SNS continua a ser um factor de coesão social, mas a população precisa de mais respostas no acesso á saúde.